quinta-feira, 19 de março de 2015

Beijo (ou quase)

Por vezes
a maior emoção do beijo reside no quase;
no imenso instante suspenso,
que tem a mesma medida do ínfimo espaço entre uma respiração e outra,
e uma batida de coração e outra,
em que os lábios não se tocam.
Em que é tudo quase.
Quase beijo,
quase respiração...
quase.
E de quase a beijo
há muito pouco tempo
e tempo demais.
Pra quem olha de longe o casal,
é pouco.
Pra quem olha no olho do outro
e sente seu hálito,
é demais.
Mas o indiferente observador é que está certo;
agora, bem agorinha, é quase,
mas daqui a pouco...
Beijo!



Lucia Britto,
Janeiro de 2015

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