sábado, 28 de março de 2015

In memoriam*

Edson Luis de Lima Souto. Estudante. 18 anos. Morto por lutar pelo ideal de um Brasil livre e justo.

O ano era 1968. Edson fazia parte do grupo de secundaristas que se alimentavam e se reuniam no restaurante Calabouço**. As conversas ali eram conversas sobre o fim da ditadura, sobre um país livre, novamente democrático. Os próprios militares consideravam o local foco de agitação estudantil.

Em 28 de março daquele ano, os estudantes do Instituto Cooperativo de Ensino, que comiam no Calabouço, organizaram um enorme protesto relâmpago para gritar contra o alto preço e a má qualidade da comida servida no lugar. Houve forte confronto com a polícia militar. Edson Luis levou um covarde tiro à queima-roupa em seu peito; o jovem tombou ante a truculência ditatorial. Seus companheiros cercaram-no para que não fosse tirado dali, para que não se tornasse mais um dos tantos que, levados pela polícia, tiveram seus corpos desaparecidos.

Todos os presentes levaram o corpo de Edson à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde foi velado. No dia do enterro, mais de 50 mil pessoas levaram o caixão ao cemitério. Aquela multidão, carregando velas e cartazes, gritava: “Mataram um estudante, podia ser seu filho!”. 47 anos depois, nós gritamos: “Mataram um estudante, podia ser eu, podia ser você!”

Hoje, nossa causa é diferente da de Edson, de seus companheiros e dos outros que viveram naqueles terríveis anos. Lutamos por outros motivos, mas seguimos lutando! A memória desse jovem seguirá conosco; o seu sangue não será esquecido! Sua luta não foi em vão, e a nossa também não será!

Avante, Secundaristas!

*Este texto foi motivado pela intervenção realizada pelo coletivo Sétimo Tempo, no IFMS - Campus Campo Grande, em memória do companheiro Edson e da luta secundarista em resistência à ditadura militar brasileira.

**O Calabouço era, na verdade, o Restaurante Central dos Estudantes. O restaurante oferecia comida a baixo custo para estudantes de baixa renda no Rio de Janeiro. Inaugurado em 1951, por Getúlio Vargas, foi fechado quando se deu o Golpe de 1964 e reaberto três meses depois.


Lucia Britto
Março, 2015

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