A frustrante sensação de perder um ônibus por poucos segundos é absurda. E quem usa esse tipo de transporte rotineiramente a conhece muito bem. Ver o dito cujo de longe, calcular rapidamente as chances de subir nele e correr (muito) é o procedimento padrão.
Às vezes se consegue, às vezes não. Hoje mais cedo eu não consegui. Fiquei soberbamente brava por isso. Eu tinha horário e, caramba, eu chegaria atrasada por causa daquele maldito ônibus!
Por mais que se pragueje e embraveça, não há prova alguma de que algum motorista tenha voltado para buscar um não-passageiro eventualmente muito irritado. Sabendo disso, fiz o que podia: sentei-me.
E meus olhos pousaram numa cena pouco comum. Uma garota, de seus 16 anos, sentada, conversando com um hippie.
Eu, como quase todo morador de Campo Grande, já vi hippies várias e várias vezes. Na Praça Ary Coelho, nas ruas do Centro, nos terminais de ônibus; aquele homem e sua arte não eram novidade no meu cotidiano. Mas o interesse daquela garota no velho homem com quem conversava era, com certeza, incomum.
E mais que incomum, tocante.
Às vezes se consegue, às vezes não. Hoje mais cedo eu não consegui. Fiquei soberbamente brava por isso. Eu tinha horário e, caramba, eu chegaria atrasada por causa daquele maldito ônibus!
Por mais que se pragueje e embraveça, não há prova alguma de que algum motorista tenha voltado para buscar um não-passageiro eventualmente muito irritado. Sabendo disso, fiz o que podia: sentei-me.
E meus olhos pousaram numa cena pouco comum. Uma garota, de seus 16 anos, sentada, conversando com um hippie.
Eu, como quase todo morador de Campo Grande, já vi hippies várias e várias vezes. Na Praça Ary Coelho, nas ruas do Centro, nos terminais de ônibus; aquele homem e sua arte não eram novidade no meu cotidiano. Mas o interesse daquela garota no velho homem com quem conversava era, com certeza, incomum.
E mais que incomum, tocante.
Lucia Britto
Março, 2015
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