sábado, 21 de março de 2015

Eternidade

Com os olhos semicerrados inspirou o aroma maravilhoso da chuva. Era quase impossível resistir à vontade de sair correndo para sentir as gotas tocarem sua pele. Aproximou-se do limiar da varanda e sorriu ao sentir minúsculas gotas em seu rosto.

- Está frio, Elisa! Você deveria estar lá dentro!

- Por favor, querido, eu amo este clima! Sei que você quer me cuidar, mas um pouco de ar puro não fará mal, fará?

-Não, acho que não...

Pôde ouvir o sorriso na voz dele e soube que vencera.

- Venha cá. - Pediu.

Sentiu-o ao seu lado. Voltou-se para ele e viu um sorriso. Respondeu com outro. Ele levou uma mão até os cabelos negros da garota, retirou uma mecha que caía sobre seus olhos e a prendeu atrás da orelha. Suas mão se tocaram e os dedos se entrelaçaram. Viram juntos, envoltos por um silêncio acolhedor, a chuva diminuir até se tornar uma garoa.

Um sussurro:

- Como és linda, menina.

Em resposta, o silêncio de um sorriso acanhado.

A aproximação dos corpos.

O toque dos lábios.

E naquele toque, eternidade.

Lucia Britto,
Em algum momento de 2014

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